terça-feira, 25 de setembro de 2012

“Os Verdes” querem esclarecimentos sobre plantação de eucaliptos, sem licenciamento, no Concelho de Penamacor


O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através doMinistério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, sobrea plantação, sem licenciamento, de uma área de eucalipto no sítio “Casa Telhada”, no Concelho de Penamacor.

PERGUNTA:

Um abaixo-assinado feito por populares da Freguesia de Águas, Concelho de Penamacor, denuncia que foi plantada uma área de cerca de 20 hectares de eucalipto no sítio “Casa Telhada”, sem licenciamento, há cerca de meio ano. O Concelho de Penamacor é hoje, no distrito de Castelo Branco, o Concelho com a maior percentagem de eucalipto, tendo esgotado a sua cota.

Alguns habitantes da Freguesia de Águas estão preocupados com o impacto negativo que esta plantação pode ter nas culturas tradicionais de proximidade e subsistência, no equilíbrio da própria floresta e na riqueza das suas águas termais que poderão ser afetadas. A Freguesia de Águas tem cerca de 15 Km2, 330 habitantes e a maioria dos seus fregueses vive da pecuária, olivicultura e da agricultura de subsistência.

O ordenamento do território florestal é imperioso e deve ser uma prioridade nacional para que se evitem os fogos calamitosos dos últimos anos, a perda de biodiversidade e a riqueza produzida pela nossa floresta.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª a Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território possa prestar os seguintes esclarecimentos:

1 – Confirma o Governo que esta plantação está ilegal?

2 – Em caso afirmativo:
     2.1 - Que medidas pondera o Governo desenvolver face a essa ilegalidade?
     2.2 – Que razões justificam o facto de, passados mais de seis meses da plantação, as entidades inspetoras não terem atuado?

21 de Setembro de 2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

“Os Verdes” suspeitam de irregularidades em concurso público de técnico superior (museologia) em Castro Daire


Foi aprovado por maioria, no passado dia 16 de fevereiro, pela Câmara Municipal de Castro Daire e posteriormente, também por maioria na Assembleia Municipal do mesmo município a 24 de fevereiro, o recrutamento de até 143 trabalhadores (6 técnicos superiores e 8 assistentes operacionais, ambos por tempo indeterminado e 64 assistentes operacionais para as Termas do Carvalhal e 65 assistentes operacionais a tempo parcial para assegurar a componente de apoio à família no ensino pré-escolar e primeiro ciclo). 

Tomando como exemplo a abertura de um concurso público para a contratação de um técnico superior de museologia, pode suspeitar-se que a um ano das eleições autárquicas o preenchimento de alguns lugares, nomeadamente nas áreas técnicas, está a ser revestido de muita subjetividade, podendo lesar o erário público, assim como levanta fortes suspeitas pelos munícipes de favores políticos pela maioria do atual executivo camarário, o que em nada dignifica a instituição e os próprios munícipes de Castro Daire.

De acordo com o aviso n.º 10108 (publicado em Diário da República de 26 de Julho de 2012), o nível habilitacional exigido pela Câmara Municipal de Castro Daire para o desempenho do cargo de museólogo contempla uma licenciatura em Ensino de Estudos Portugueses e Ingleses. Adicionalmente, e de forma um tanto estranha, exige-se aos candidatos que saibam “falar corretamente o inglês” (como se o detentor de licenciatura em Ensino de Estudos Portugueses e Ingleses não fosse capaz de saber “falar corretamente o inglês”).

Segundo a Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, que estabelece os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, no seu Artigo 51.º (Exigência de nível habilitacional), no n.º 1, “em regra, pode apenas ser candidato ao procedimento quem seja titular do nível habilitacional e, quando seja o caso, da área de formação, correspondentes ao grau de complexidade funcional da carreira e categoria caracterizadoras dos postos de trabalho para cuja ocupação o procedimento é publicitado.”

Normalmente, os concursos públicos para a admissão de técnicos superiores de museologia têm como requisito licenciaturas em História, História da Arte, Património Cultural, Arqueologia, Antropologia, complementadas com pós-graduação, mestrado e/ ou doutoramento, nestas áreas especificas. Ora não se entende como uma licenciatura em ensino de estudos Portugueses e Ingleses caracterize, seja de que maneira for, o posto de trabalho de museólogo. Era como na abertura de um concurso para um técnico superior de medicina fosse exigida uma licenciatura em história da arte.

Suspeita-se que a Câmara Municipal de Castro Daire preparou este concurso, disfarçado de público, “à medida”, como se tratasse uma peça de vestuário, para admitir nos seus quadros de pessoal alguém que os munícipes já suspeitam. Ou seja, o “concurso público” especifica o perfil do candidato a admitir, mas este tem muito pouco a ver com as funções que o candidato virá a desempenhar; pelo contrário, corresponde exatamente às habilitações da pessoa que alegadamente a Câmara já escolheu para o cargo.

Este concurso público constitui, por isso, uma clara violação dos princípios da transparência, igualdade e concorrência: tudo indica tratar-se de uma contratação falsamente pública, pois suspeita-se que haverá um candidato em particular que encaixará, na perfeição, no (muito discutível) perfil exigido e esta pessoa será, assim, claramente favorecida, por motivos políticos, em relação a todos os outros eventuais candidatos possam querer concorrer com experiência profissional e habilitações académicas adequadas para o lugar.

Perante esta situação, o Coletivo Regional de Viseu do Partido Ecologista “Os Verdes” considera que, para dignificar os trabalhadores, a profissão de museólogo, os museus, a cultura, a instituição Câmara Municipal de Castro Daire, os demais agentes políticos e os próprios munícipes de Castro Daire:

- Devem ser repostos pelo executivo da Câmara Municipal de Castro Daire os princípios de transparência e igualdade no acesso a trabalhos públicos conforme refere a legislação;

- O acesso a trabalhos públicos deve ser em função da habilitação profissional e académica e não em torno de outros critérios subjetivos e políticos, que em nada dignificam os funcionários públicos;

 - Deve a Câmara Municipal de Castro Daire imediatamente cancelar este concurso público para a carreira e categoria de Museologia, referente ao aviso n.º 10108.

- A contratação de um técnico superior de museologia deve ser em função das suas competências profissionais e académicas, por exemplo, nas áreas da História, História da Arte, Arqueologia, Antropologia, Património Cultural e áreas afins, de forma a honrar o próprio museu municipal de Castro Daire.

O Colectivo Regional de Viseu do PEV
2 de Agosto

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Nota de imprensa de “Os Verdes” Sobre os resultados dos exames nacionais 2012


O Partido Ecologista “Os Verdes” considera muito preocupantes os resultados dos exames nacionais do Ensino Secundário realizados em Junho deste ano (1ª Fase): nas quatro provas que apresentaram mais alunos inscritos (Português, Biologia/Geologia, Física e Química A e Matemática A) as médias totais foram todas negativas (ficaram abaixo de 10, numa escala numérica de 0 a 20 valores). Em Português, se observarmos os resultados dos últimos 15 anos, este foi o segundo pior resultado de sempre (com uma média de 9,5), só sendo ultrapassado pelo do ano passado (com uma média de 8,9).

Nas disciplinas que servem de prova de ingresso aos cursos da área da saúde, Biologia/Geologia e Física e Química A, as médias também são negativas: respetivamente 9,3 e 7,5. Este último resultado (de Física e Química A) é mesmo o pior de todas as 25 disciplinas sujeitas a exame nacional e é o segundo pior de toda a história dos exames em Portugal. Por comparação a 2011, a taxa de reprovações nesta disciplina subiu 50% (passou de 16 para 24%), enquanto em Biologia/Geologia passou de 7 para 10%. Finalmente, também em Matemática A registou-se a pior média dos últimos seis anos: houve uma queda de cinco pontos por comparação a 2011 (a média passou de 9,2 para 8,7).

“Os Verdes” consideram urgente obter respostas para a pergunta que se impõe fazer: quais são as causas deste panorama tão negativo? Uma das causas é certamente a forma como os exames são elaborados pelo GAVE: a ambiguidade de várias questões dos exames, bem como o carácter restritivo dos critérios de correção, mostram como se procurou corresponder à propalada necessidade de “exigência e rigor”, criando questões que são armadilhas onde muitos alunos caíram. Outra das causas porém, talvez a mais importante, foi a de que este ano, pela primeira vez, os alunos foram obrigados a realizar todos os exames na 1.ª fase. Enquanto nos anos transatos os alunos tinham a possibilidade de distribuir pelo calendário de exames as provas que iriam realizar (fazendo algumas na 1ª fase e deixando outras para a 2ª), possibilitando-lhes assim um estudo mais prolongado no tempo, este ano tiveram que fazê-las todas num prazo recorde de seis dias úteis. Que vantagens resultaram desta alteração? As consequências negativas (leia-se, os resultados deste ano) essas estão agora bem à vista.

Ora em setembro próximo passa a ser obrigatória a frequência do 10º ano de escolaridade, para todos os jovens que acabam de concluir o 9º ano, sendo que é urgente alertar a sociedade portuguesa para a necessidade de nos mobilizarmos, para este tão importante e decisivo passo que temos de dar.

O assumir do prolongamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano constitui uma decisão política relevante, que corresponde a uma vontade social em irmos mais além como Nação, na nossa capacidade coletiva de escolarizarmos e qualificarmos as gerações futuras, num momento em que o conhecimento constitui cada vez mais um fator distintivo dos indivíduos e dos povos. Este fenómeno que ora se verificou uma vez mais nos exames nacionais, é gerador de desmotivação e abandono escolar precoce, o que reverte em desfavor da equidade e da eficácia do sistema, das condições para a universalização da escolaridade obrigatória de 12 anos e das nossas possibilidades de cumprimento das metas com que nos comprometemos a nível europeu. 

Assim, estudos internacionais referem que, se considerarmos a população entre 18 e 24 anos que não se encontra a frequentar qualquer estabelecimento de ensino e que obteve no máximo o 3º ciclo do ensino básico, verificamos que enquanto na UE27, a média é de 13,54%, em Portugal é de 23,29%. A meta europeia para 2020 é menos de 10%. Outra medida internacional refere que a população que tem 20-24 anos e que completou pelo menos o ensino secundário representa 79,5% na média da UE27 e 64,4% em Portugal (2011). A meta europeia para 2010 era de 85%. Estes dados permitem-nos concluir que estamos desfasados 25% das mesmas, e assim, tendencialmente nos continuaremos a afastar das mesmas.

De uma forma mais geral, importa problematizar o modo com este governo encara a educação e, dentro desta, a questão da avaliação. Não basta ao Sr. Ministro da Educação, Nuno Crato, assumir que está insatisfeito com os resultados dos exames nacionais ou classificá-los como “um pormenor” em todo o sistema educativo (um pormenor que “pesa” apenas 30% nas classificações dos alunos na conclusão do Ensino Secundário e que chega a valer 50% das médias de acesso a muitos cursos do Ensino Superior), assim procurando desvalorizar estes preocupantes resultados. Importa, sim, por em causa este excessivo peso atribuído aos Exames Nacionais e enfatizar que a principal função da avaliação é a de melhorar as aprendizagens dos alunos e, concomitantemente, o ensino dos professores. Importa denunciar que, na ótica deste governo, a ênfase tem estado centrada apenas no desenvolvimento da avaliação externa (como comprova a introdução dos exames nacionais no final dos 1º e 2º ciclos), quando deveriam serprivilegiadas estratégias de avaliação formativa que contribuíssem para que professores e alunos pudessem ensinar e aprender de forma mais significativa, no âmbito de uma cultura de sucesso na qual todos os alunos podem aprender e atingir bons resultados.

Por fim, o PEV não quer deixar de manifestar a sua total solidariedade para com os professores que hoje se manifestam em Lisboa, alertando para o despedimento de docentes, para o aumento de horários zero nas escolas, em defesa da escola pública, por melhores condições de ensino e contra a desvalorização social a que a classe tem sido sujeita por este Governo.

12 de Julho de 2012

domingo, 8 de julho de 2012

“Os Verdes” questionam Ministério do Ambiente sobre mortandade de peixes na barragem do Caldeirão - Guarda


O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar“Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através doMinistério da Agricultura do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, sobreas causas da mortandade de peixes que se verificou na barragem do Caldeirão e as suas consequências para a saúde pública.

PERGUNTA:
Segundo a comunicação social, no passado mês de Abril foram encontrados pelo SEPNA da GNR, milhares de peixes mortos na barragem do Caldeirão, que se localiza na ribeira do Caldeirão, afluente o rio Mondego. A albufeira está integrada na rede de captação de água da empresa Águas do Zêzere e Côa, abastecendo entre outros a cidade da Guarda. Após a deteção de peixes mortos nesta albufeira, foram realizadas análises que, segundo o Delegado de Saúde, indiciam uma forte suspeita da existência de Salmonela. Neste sentido, a Autoridade de Saúde da Guarda interditou a barragem do Caldeirão a atividades lúdicas e desportivas.

O Delegado de Saúde garantiu, na altura, à comunicação social, que embora seja captada água nesta barragem para consumo, a situação não constituiu qualquer perigo para a saúde pública, devido aos respetivos tratamentos.

No entanto, mesmo não havendo riscos para a saúde pública, pelo menos através do consumo da água, conforme foi garantido pelo Delegado de Saúde, é de extrema importância saber e esclarecer quais as causas desta mortandade de peixes, de modo a prevenir situações idênticas, nesta ou noutras albufeiras, com ou sem captação de água para consumo humano.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª A Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério da Agricultura do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, me possa prestar os seguintes esclarecimentos:

1- Que causas estiveram na origem da morte de peixes na albufeira do Caldeirão?

2- Este ministério garante que a água para consumo esteve ou está dentro dos parâmetros permitidos, não pondo em causa a saúde pública?

3- Que medidas foram tomadas para reestabelecer o equilíbrio ambiental na Albufeira do Caldeirão?

4- Já foi retirada a interdição à prática de atividades lúdicas e desportivas nesta barragem?


08 de Julho de 2012

sábado, 7 de julho de 2012

Nota de imprensa de “Os Verdes” Castelo Branco - Redução do caudal do Rio Pônsul coloca em causa a sobrevivência de fauna e flora


O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar“Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através doMinistério da Agricultura do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, sobrea redução do caudal do Rio Pônsul, um afluente do Rio Tejo, que atingiu as cotas mais baixas dos últimos 20 anos.

PERGUNTA:
O Rio Pônsul é um curso de água afluente do Rio Tejo, que nasce em Penha Garcia, concelho de Idanha-a-Nova e ao longo dos seus 82km atravessa também o concelho de Castelo Branco onde desagua em Malpica do Tejo. Neste rio destaca-se a grande diversidade de flora e fauna, fazendo o seu vale parte integrante da Zona de Proteção Especial do Tejo Internacional, Erges e Pônsul. Este rio é abundante em espécies piscícolas, nomeadamente barbos, bogas e carpas sendo por natureza para um espaço propício, apreciado e procurado para atividades lúdicas e desportivas.

Segundo os pescadores e ambientalistas no último mês, o rio Pônsul atingiu as cotas mais baixas dos últimos 20 anos. Esta redução do caudal coloca em causa a sobrevivência de espécies piscícolas existentes neste rio. Situação agravada por coincidir com o período de desova da maioria destas espécies.

Segundo a comunicação social a redução do caudal a níveis mínimos poderá estar a ser provocado por uma intervenção na barragem de Cedilho e/ou a construção de um ancoradouro para um barco turístico na zona de Castelo Branco. A redução do caudal ecológico, apresenta impactos irreversíveis no ecossistema local, sobretudo ao nível das espécies piscícolas. Para além da vertente ambiental, esta situação afasta da região inúmeros pescadores vindos de fora que poderiam contribuir para a economia local.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª A Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério da Agricultura do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, me possa prestar os seguintes esclarecimentos:

1- Tem este ministério conhecimento desta situação?

2- Quais os motivos que conduziram à redução do caudal para mínimos dos últimos 20 anos?

3- Que soluções estão a ser desenvolvidas para minimizar os impactos decorrentes da descida do caudal?


07 de Julho de 2012


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ambulâncias do INEM “Os Verdes” questionam Ministério da Saúde


O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar“Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através doMinistério da Saúde, sobre a reorganização de serviços que está a ser levada a cabo pelo Instituto Nacional de Emergência Médica, e que tem conduzido à retirada de ambulâncias nalgumas localidades.

PERGUNTA:
Conforme tem sido noticiado pela comunicação social o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) está a proceder a uma reorganização dos seus serviços a nível nacional, tendo como consequência a retirada de ambulâncias de várias localidades, reduzindo a prestação de cuidados de saúde em caso de emergência pré-hospitalar às populações, sobretudo no interior.

Contudo, para o INEM esta reorganização conduzirá, conforme foi referido à Agência Lusa, a um “aumento do número de meios disponíveis, nomeadamente em áreas onde existe uma cobertura de emergência que necessita de ser melhorada, não só garantindo o acesso do cidadão como é reforçado”. Opinião bem divergente deverão ter as populações a quem este serviço será retirado, como aconteceu recentemente em Vieira do Minho.

A maioria das ambulâncias a retirar foi colocada nas várias localidades como compensação às populações pelo encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) ou Serviços de Urgência Básica (SUB), sobretudo em períodos noturnos, como se alguma vez fossem serviços equiparados.

O INEM argumenta que o serviço pré-hospitalar será garantido pelos bombeiros, que podem possuir valências idênticas, verificando-se em muitos casos que este serviço concorre com o dos bombeiros, sem que haja mais-valias para o serviço prestado à população. Caso esta situação seja verosímil, a implementação das ambulâncias do INEM serviu apenas para enganar e silenciar os autarcas e as populações aquando do encerramento dos respetivos SAP’s e SUB’s como ocorreu com a colocação da ambulância de suporte básico de vida em Vouzela e Mortágua, no distrito de Viseu.

Estas opções repulsivas que conduzem à diminuição de serviços de saúde prestados às populações do interior, assim como o encerramento de outros serviços públicos, servem de passaporte para deslocar os cidadãos para o litoral, ficando apenas a faltar a chave para encerrar definitivamente o interior do país.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exª A Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério da Saúde, me possa prestar os seguintes esclarecimentos:

1- Está a ser considerado algum estudo técnico que conduza à desativação dos serviços do INEM em algumas localidades, idêntico ao estudo que serviu de fundamento à implementação deste mesmo serviço?

2- Com a reorganização que o INEM está a implementar, está garantida uma melhoria e reforço do serviço prestado aos cidadãos, sobretudo no interior?

3- Quantas ambulâncias operadas diretamente pelo INEM irão ser retiradas/deslocadas das localidades onde foram encerrados os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) e os Serviços de Urgência Básica (SUB)?

4- Com esta reorganização, qual o destino dos funcionários (técnicos e enfermeiros) ao serviço do INEM? Está prevista a sua recolocação noutros serviços?


O Grupo Parlamentar “Os Verdes”

05 de Julho de 2012


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Comunicado do Conselho Nacional do PEV, 30 de Junho de 2012

CONSELHO NACIONAL DO PARTIDO ECOLOGISTA “OS VERDES”

O Conselho Nacional do PEV, reunido em Lisboa na sede Federação das Coletividades de Cultura e Recreio, na primeira reunião depois da 12ª Convenção do PEV, analisando a difícil situação ecopolítica nacional e internacional, debruçou-se com destaque para os seguintes temas:


No plano internacional e europeu:

- Rio + 20: Frustração e desalento – um falhanço monumental! A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de 2012, que voltou à cidade do Rio de Janeiro 20 anos depois da histórica Cimeira da Terra de 1992, revelou-se tremendamente frustrante pela incapacidade revelada para se definirem metas e compromissos juridicamente, ou sequer politicamente, vinculativos o que só tem paralelo na vergonhosa demissão global dos Governos em negociar e, pelo menos tentar, ir um pouco mais além do texto que acabou por ser aprovado e já estava fechado antes da Conferência se ter iniciado. O documento aprovado, “O futuro que queremos”, limitou-se a reafirmar princípios, renovar promessas e dar tímidos passos sem real significado ou que façam qualquer diferença. Nada quanto às alterações climáticas ou novas metas depois de Quioto (cuja vigência cessa daqui a 6 meses!!!), nada quanto à desertificação, saque e destruição dos recursos e da biodiversidade no alto mar, quanto à sangria de recursos naturais nos países em desenvolvimento, quanto à pobreza extrema, o fase out do nuclear, ou a criação de emprego, nada quanto aos compromissos financeiros a alocar a estes objectivos. Os únicos vencedores desta conferência, que contou com a ausência de peso como a dos Chefes de Estado da Alemanha ou dos Estados Unidos, são o capitalismo global depredatório, os mercados sem rosto, o sistema financeiro e os detentores do poder económico que defendem o “business as usual”, que lhes garante o lucro e dominação, e que consome o planeta e reduz a maioria da humanidade à servidão. “Os Verdes” afirmam, porém, que este flop nos obriga a ser ainda mais ambiciosos, designadamente a nível interno e da União Europeia no cumprimentos das metas anteriormente traçadas até 2020, sendo inaceitável o discurso de abrandamento e desinvestimento nas áreas das energias renováveis que o Governo PSD/CDS tem promovido.

- Conselho Europeu: No presente momento de crise económica, quando o que seria necessário seria questionar o actual sistema e a construção europeia, romper com um modelo que gera desequilíbrios, alimenta injustiças, agrava o fosso das desigualdades entre cidadãos e Estados, verifica-se apenas a aposta nas mesmas soluções e no aprofundamento dos mecanismos de controlo dos grandes da Europa sobre os países periféricos. Esta reunião, que reúne os Chefes de Estado da União Europeia, prepara-se para reforçar os mecanismos de controlo orçamental que mais não são do que a criação de uma toda poderosa governação financeira europeia que determine orientações de construção ou correcção dos orçamentos nacionais dos Estados, que limite as possibilidades de emissão de dívida, ingerindo-se na definição da nossa política económica ou fiscal, roubando a soberania nacional e o direito do povo português, através dos seus representantes directos democraticamente eleitos, decidir o que é melhor e mais adequado para Portugal. Dos problemas de Portugal e dos portugueses, sabe o povo português, considerando Os Verdes que não é assim que se constrói uma Europa de solidariedade entre os povos com equidade entre Estados soberanos que se respeitem nas suas diferenças que fazem a riqueza da Europa como espaço plural que é.

As notícias mais recentes dos desenvolvimentos desta Cimeira, dão-nos conta da possibilidade dos bancos se recapitalizarem directamente por recurso aos fundos europeus de socorro. Para além desta opção, da qual ainda não se conhecessem todos os contornos, representar novamente o recurso a financiamento público para apoiar o sector bancário, que se descapitalizou por vezes até em distribuição imprudente de dividendos aos accionistas, a verdade é que destinando-se a recapitalização da banca, esta medida arrisca-se a não ter qualquer consequência na disponibilização de meios para financiar a economia real o que deveria constituir a prioridade.


No plano nacional:

- A execução orçamental: Os dados relativos ao défice orçamental, estimado em 7,9% para os primeiros três meses deste ano (mais 0,3 pontos face aos 7,5% do período homólogo de 2011), e à execução orçamental demonstram à saciedade os resultados desta política cega de austeridade como Os Verdes denunciaram em tempo útil e era absolutamente previsível: a retracção do consumo em virtude da diminuição do emprego e do rendimento disponível por força dos cortes sociais e salariais e aumento de impostos, só podiam conduzir à paralisia e recessão da economia nacional e à diminuição da receita fiscal. A par desta situação acresce uma verdadeira regressão de direitos sociais, retrocesso civilizacional, destruição da capacidade produtiva do país e, em última instância, a própria capacidade dos portugueses acreditarem na viabilidade do seu país continuar a ser uma nação livre e soberana. Desemprego, pobreza, injustiças, cortes sociais e descontrole orçamental são os resultados das políticas de austeridade da troika e do Governo de direita que nos desgoverna, e aos quais não se responde, com sucesso, com mais do mesmo, com mais austeridade como, insana e perigosamente, o Governo ameaça fazer. Mais do que nunca, “Os Verdes” afirmam que é preciso rasgar com esta política e acabar com este pacto antes que ele acabe connosco. É uma questão de sobrevivência.

- Ataque a direitos e destruição de Serviços Públicos: O Governo, numa arrogância silenciosa, aproveita o manto da mentira e o véu das inevitabilidades para prosseguir a sua política nefasta em diferentes áreas, da saúde à educação, passando pela justiça, correios, ou pela água, a desagregação dos respectivos serviços públicos, os encerramentos e concentração de serviços, degradando a qualidade dos mesmos e transferindo custos para os cidadãos e as famílias, e entrega aos privados destes sectores vitais na garantia de direitos fundamentais aos cidadãos. Na sua política privatizadora, o Governo ora continua a apostar nas parcerias público privadas na saúde que tão caras têm saído aos portugueses, ora privatiza pela via da concessão por várias décadas como pretende fazer nos sectores dos resíduos e das águas.

Neste âmbito, Os Verdes anunciam que decidiram iniciar uma grande campanha de luta e esclarecimento de rua contra a privatização da água já anunciada pelo Governo.

- Código do trabalho: Os Verdes reafirmam a necessidade de pedir a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Código do Trabalho que promove trabalho gratuito, precariedade e a facilitação dos despedimentos, contrariando a Constituição da República Portuguesa. Por isso, Os Verdes, através do seu Grupo Parlamentar, subscreverá esse pedido de fiscalização.

Lamentavelmente, Cavaco Silva não cumpriu a sua função de Presidente da República quando assinou de cruz um Código do trabalho com estas características, cumprindo antes o seu pacto com estas políticas que têm destruído o país.

Também as alterações propostas pelo Governo à legislação laboral na Administração Pública (central e local) revelam-se como o maior atentado de sempre a este sector no pós 25 de Abril.


Lisboa, 30 de Junho de 2012

Conselho Nacional do PEV